O Brasil que não conhece o Brasil

Déficit de armazenagem da produção agrícola do Tocantins

Até parece que o Tocantins não faz parte do Brasil. Enquanto a produção de grãos está bombando no norte e centro oeste, burocratas de plantão nos ministérios não tão distantes de Brasília aguardam as eleições  e representantes da indústria acanhada do sudeste reclamam da política e do supremo. Infra estrutura, nada. O país que espere. Senão, vejamos: pesquisa recém publicada aponta que só no estado do Tocantins o déficit de armazenagemé de incríveis e inacreditáveis 58%.

Silo Bolsa na Argentina responde por mais de 50% da armazenagem de grãos naquele país.

Os pesquisadores Rafael Alves da Silva e Flávio Carlos Dalchiavon   apontam que o estado do Tocantins,  um  grande produtor de grãos da região Norte do Brasil, não conta com infraestrutura adequada para armazenagem. Compararam o histórico da produção de grãos do Tocantins com a capacidade estática dos seus armazéns entre o período de 1990 a 2017, definindo os municípios e/ou regiões com maior potencial para instalação de novos empreendimentos de armazenagem. Utilizaram como referência os dados de produção de grãos e dos armazéns cadastrados, ambos disponíveis na Companhia Nacional de Abastecimento, para avaliar a evolução e elaborar mapas da distribuição geográfica da capacidade estática e do déficit de armazenagem. Mostram que o  Tocantins se tornou, nos últimos anos, um dos principais produtores de grãos na região Norte do Brasil e ainda apresenta grande potencial de crescimento. Mesmo havendo crescimento na capacidade estática de armazenagem, este não tem acompanhado o crescimento da produção de grãos, o que justifica atualmente o déficit de armazenagem da produção em aproximadamente 2.512.305 de toneladas, representando 57,97% da produção total de grãos do estado. As regiões ou municípios que apresentam maiores déficits em capacidade estática e, consequentemente, melhores oportunidades para novas instalações na área de armazenagem são: Porto Nacional, Campos Lindos, Dianópolis, Lagoa da Confusão, Peixe, Caseara, Gurupi, Goiatins, Pium e Miracema do Tocantins.

Apenas para finalizar uma visão mais ampla do cenário, basta lembrar que, sem boa infraestrutura de armazenagem e logística (Aonde estão nossas estradas e portos??), o país pode produzir quanto quiser. Enquanto a Argentina perde produção pela seca, nós a perdemos em nossa própria incompetência. Mais uma oportunidade de ocupar espaços de nossos competidores passará bem debaixo de nossos narizes.

Estão aí, com nome, sobrenome e endereço todas as informações para quem quiser saber um dos inúmeros gargalos e pontos de investimento a partir de outros segmentos da economia nacional. Podemos começar pela própria cadeia do plástico agrícola.

Para bom investidor, meia palavra basta.

 

Silo Bolsa na Argentina.Foto: Antonio Bliska Júnior2013

 

 

 

Antonio Bliska Júnior

Eng. Agrônomo/Dr. Enga. Agrícola

Pesquisador na Unicam e professor na FAAGROH

Vice -presidente do Cobapla e editor da Revista Plasticultura

 

 

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